terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Ainda sobre Chaves


Ontem foi o enterro do Chaves...
É muito estranho aceitar que nossos heróis também morrem. Não basta saber que quem partiu foi o autor/criador e não a personagem. A transferência afetiva é inevitável! Mesmo sabendo que vamos continuar assistindo Chaves repetidas e incansáveis vezes, alguma coisa dentro de nós se desligou. Alguma coisa que nenhuma religião é capaz de ligar novamente, alguma coisa que não se explica, mas se traduz no olhar desemparado que encontra milhões de corações órfãos batendo na mesma frequência. Bolaños não chegou a ter uma noção exata do amor que plantou no coração de cada brasileiro, mas levou consigo a certeza que seu dom foi muito bem desenvolvido, aceito e compreendido.


Hoje voltei a me emocionar quando encontrei Gerlania Medeiros e ela me disse que instantaneamente lembrou-se de mim e de seu sobrinho, ainda criança. Essa associação mostra que Chaves não tem idade e que quando se gosta desinteressadamente de alguém, esse alguém passa a lhe representar na sua ausência. Fico muito feliz em ser lembrado através da figura que fez parte da minha infância e estará até todo sempre na tela da minha TV. 
Deixo meu abraço espiritual a Dona Florinda, pela grata satisfação de ainda vivermos no mesmo tempo e a todos os fãs que sentiram o que eu senti.
— se sentindo triste.

sábado, 29 de novembro de 2014

Sobre Chaves, o sonho não acabou


Chaves é sem dúvida, ainda hoje, o humor mais saudável da televisão brasileira. Sem nunca apelar para mediocridade, está no ar com o mesmo encantamento que faz crianças, jovens e adultos serem seus fãs. Hoje é um dia muito triste, sua partida, embora muitas vezes tenha sido falsamente anunciada nas redes sociais, nos deixou tão órfãos quanto o menino que vive no pátio dentro de um barril sonhando com sanduíches de presunto. 

É muito fácil falar da personagem Chaves porque seu cronotopo transcende classes sociais e o próprio tempo. Suas lições serão sempre atuais, porque o amor ao próximo nunca sairá de moda, e este é o maior ensinamento deixado pelo magnífico, pequeno Shakespeare: Roberto Gómes Bolaños.

Não conheço e nem quero conhecer quem não goste de Chaves. Não quero assistir nada na TV que me faça chorar porque até hoje ele só me fez sorrir. Sobre Chaves, o sonho não acabou.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Sobre a política. Texto de 1917, continua valendo

Mandado de despejo aos mandarins do mundo:
Fora tu! Reles, esnobe, plebeu
Fora tu, imperialista das sucatas
Charlatão da sinceridade
Banalidade em caracteres gregos
Sopa salgada fria
fora com tudo isso
FORA!
Que fazes tu, nas celebridades?
Quem és tu?
Tu da juba socialista
Tu qualquer outro
Todos os outros
LIXO
CISCO
CHOLDRA PROVINCIANA
SAFARDANAGEM INTELECTUAL
INCOMPETENTES
BARRIS DE LIXO VIRADOS PARA BAIXO
Tirem isso tudo da minha frente
Tudo daqui pra fora
Ultimatum à todos eles e a todos os outros que sejam como eles
TODOS!
Falência geral de tudo por causa de todos
Falência dos povos e dos destinos
Desfile das nações para o meu desprezo
Passai gigantes de formigueiro
Passai mistos que só cantai a debilidade
Passai BOLOR DO NOVO
PASSAI A ESQUERDA DO MEU DESDÉM
Passai e não volteis
Páreas na ambição de parecer grande
Passai finas sensibilidades
MONTE DE TIJOLOS COM PRETENSÕES À CASA
Inútil luxo, passai
Vã grandeza ao alcance de todos
Megalomania triunfante
Vós que confundis o humano com o popular
Que confundis tudo
Chocalhos incompletos
Maravalhas, passai
Passai tradicionalistas auto-convencidos
Anarquistas deveras sinceros
Socialistas a invocar a sua qualidade de trabalhadores
para quererem deixar de trabalhar
Vem tu finalmente ao meu asco
Roça-te finalmente contra a sola do meu desdém
[...] Quem acredita neles?
Descasquetem o rebanho inteiro
Mandem tudo para casa descascar batatas simbólicas
O mundo tem sede de que se crie
Tem fome de futuro
[...] A POLÍTICA É A DEGENERAÇÃO GORDUROSA DAS ORGANIZAÇÕES DA INCOMPETÊNCIA
Sufoco de ter só isso a minha volta
Deixem-me respirar
Abram todas as janelas
Abram mais janelas do que todas as janelas que há no mundo
Nenhuma ideia grande
Nenhuma corrente política que soe a uma ideia grão
Época vil dos secundários
Dos aproximados, dos lacaios
Com aspirações a reis lacaios
Sim, todos vós que representais o mundo
Que sois políticos em evidência
Passai, vós ambiciosos de luxo cotidiano
Aristocratas de tanga de ouro
PASSAI
[...] Passai frouxos
Passai radicais do pouco
O mundo quer grandes poetas
Quer grandes estadistas
Quer grandes generais
Quer o político que construa conscientemente os destinos inconscientes dos eu povo
Quer o poeta que busque a imortalidade ardentemente
E não se importe com a fama
Quer o general que combata pelo triunfo construtivo
Não pela vitória em apenas se derrotam os outros
O mundo quer inteligência nova
Sensibilidade nova
O que aí está a apodrecer a vida quando muito é estrume para o futuro
O que aí está não pode durar porque não é nada
Eu da raça dos navegadores lhes afirmo que não pode durar
Eu da raça dos descobridores desprezo o que seja menos que descobrir um mundo novo
Ergo-me ante o sol que desce
E a sombra do meu desprezo anoitece em vós
Proclamo isso bem alto
Braços erguidos fitando o atlântico e
Saudando abstratamente o infinito.

ULTIMATUM
Alvaro de Campos, 1917











sexta-feira, 25 de julho de 2014

Ao mestre dos mestres


Ariano Suassuna se foi. Se foi em meio a tantos acontecimentos que não tive tempo de me despedir textualmente. Não tive tempo de redizer tudo que já lhe falei. De agradecer pelo Auto da Compadecida, pela Pedra do Reino, pelo Movimento Armorial, por ter inspirado Lenine a compor a canção mais importante da minha monografia: Leão do Norte, canção esta que me inspirou um artigo em 2011 quando tive o prazer de conhecer o mestre dos mestres.

A obra de Suassuna ganhou dimensões extraordinárias na Academia. Não há quem não o conheça mesmo ser ter lido seus romances. O estilo regional e único de contar histórias encantadas fez dele membro da Academia Brasileira de Letras e tornou popular nossa cultura. O orgulho que me acomete em saber que este senhor a quem dedico nostalgicamente esta singela despedida, é o mesmo que me envaidece por ser ele aqui tão de perto. O filho mais ilustre de Sousa-PB foi então conhecer o manto da Compadecida para ter a certeza que não o descreveu por mera inspiração. O primeiro escritor a desconstruir de forma sátira e inteligente os preconceitos religiosos está encantando do lado de lá. Fazendo os Anjos sorrirem...

Queria, não nego, que João Grilo tocasse sua gaita e o mestre voltasse para perto de nós. Mas ele deixou comigo mais que esse desejo, deixou sua obra e é através dela que posso sempre chegar mais perto dele para ter a certeza de que realmente ele é imortal. As palavras, já disse em outra ocasião, são como um ferro em brasa, nos marcam para sempre.

[...] Aqui havia um paragrafo, peço que me perdoem, mas é particularmente meu e este devaneio eu envio de forma não grafada à todos que forem capazes de sentir o que estou sentindo.

Portanto, permanecem em mim, três ideias afixadas na parede da memória: sua obra, sua simplicidade e sua atenção. Abaixo, registro o print do Twitter do mestre em seus últimos acessos quando ganhei, novamente, um RT de um livro que acabara de ler (na foto acima) e deixo que ele siga, que siga o curso natural da vida humana, porque nos deixou dito e é nisso que acredito "não tenho medo da morte". Um dia nos encontraremos de novo, mestre, e já terei lido mais do mesmo.

Aquele abraço! Saravá!!!


sexta-feira, 11 de julho de 2014

Ordem em progresso


Quem já assistiu o filme "Narradores de Javé" conhece uma boa história para fazer uma análise comparada a atual situação da nossa cidade: Pau dos Ferros. O filme conta a história de uma pequena cidade que será submersa pelas águas de uma represa e seus moradores não serão indenizados porque a cidade não dispõe de patrimônio histórico. Quando decidem escrever a história (leia-se memória e identidade) o documento transforma-se numa zorra total por causa da polifonia dialógica dos seus habitantes.

Dando sequência a postagem anterior, vi de relance uma matéria que circula via facebook em que anuncia a demolição do Mercado Público Municipal de Pau dos Ferros para dar lugar a um Shopping Popular. Francamente! Há quem acredite nessa mão do progresso vazio dizimando a memória coletiva de gerações, mas nem tudo que é verossímil, ensinou-me Aristóteles, é crível.

Dar lugar a um shopping no centro da cidade é não ter a mínima noção de espaço e ignorar o caos que impera todo centro comercial. Quem circula nessa área sabe do que estou falando, não há estacionamento suficiente, quase não dá para andar a pé! Não sou engenheiro e nem preciso do título para entender que valorizar o comércio significa expandi-lo e não viciá-lo num espaço já tão tumultuado. Vejam, por exemplo, onde Mossoró abriu um shopping. Além do mais, a demolição do Mercado Público, faço eco ao discurso do professor Lindenilson, é um dano irreparável ao patrimônio histórico da cidade.

Se for verdade, só lamento!

triste do poder que não pode


A foto é da década de 1990. Nela, estou em um dos poucos extintos pontos turísticos da cidade que a minha filha não vai ter o prazer de conhecer. Pois é, em Pau dos Ferros, assim como na maioria das cidades do interior, não encontramos muito mais que praças advindas das administrações públicas para apreciar enquanto atrativo turístico. É praça da matriz, de eventos, do CD, nos bairros, e havia, essa em que estou, a do N. Fazia uma intercessão entre a Av Getúlio Vargas e a Rua São João.

Recentemente foi demolida, porque o poder que não pode, não impera! Ao que parece é para a construção de um pólo de academia. Se eu acreditasse que tudo isso é somente uma ação de incentivo ao esporte e não uma manobra política, seria algo bonito. Até aprecio o que vem sendo desenvolvido, também recentemente, nessa mesma avenida: uma pista livre de esportes de roda. Mas uma coisa não justifica a outra. Há muitos espaços ainda virgens no município.

Essa ação, aos meus olhos, é mais um capítulo da história da desconstrução da identidade cultural de Pau dos Ferros, mas demolir a praça do N, não vai apagar da memória da história da cidade o nome de um grande homem que um dia esteve frente ao poder público administrativo. O N de Dr Nilton é mais que um amontoado de concreto, que aliás, já vem sendo demolido desde as últimas eleições. O que em tempo, já sinalizava os dias de agora. 

Fica aqui minha nota de insatisfação. 


domingo, 29 de junho de 2014

Os Ratos: onde estarão nesse momento?


Até 1943 quando surge Clarice Lispector no cenário das produções literárias brasileiras, pouco se produziam obras numa temática introspectiva, voltada para o interior, para a ação existencialista do ser. Lendo Os Ratos, de Dyonelio Machado (1935) percebemos a angustia do personagem Naziazeno como um escape a ação capitalista do mundo moderno. 

Imaginem o drama de um proletariado em dívida com o leiteiro, tendo que pagar sua dívida em apenas 24 horas. São, pois, nessas 24 horas que o personagem desdobra-se em meio a uma série de possibilidades para conseguir o dinheiro e tem sua narrativa condensada de dentro para fora. 

Esse padrão estético rompe com a estrutura tradicional e é completamente inovador para sua época. Torna-se difícil compreender, em alguns aspectos, e exige do leitor uma atenção mais exata. Há momentos em que as ações "perdem-se" no tempo e no espaço da narrativa para somente assim conseguir acompanhar o pensamento transcrito. Lembremos, pois, que nesse estilo romanesco estamos prezando o que se efetua de dentro para fora. E não se pode ler um texto dessa natureza da mesma maneira como se lê, por exemplo, Luzia Homem - Domingos Olímpio.

Fica aqui a minha dica de leitura para esta semana: Os Ratos. Para quem deseja exercitar sua inteligência de forma desesperadora e angustiante na incansável busca de identificação com o mundo moderno. Depois vocês me contam o que onde estão os ratos e o que conseguiram roer. (risos)

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Encerrando a polêmica


Uma das fases mais difíceis quando se está esperando uma criança, é a escolha do nome. Imaginamos mil e uma possibilidades, pesquisamos, pedimos sugestões (a algumas pessoas) e passam-se dias na expectativa e na possibilidade de mudar sempre que surge uma outra opção. É claro que chega uma fase em que isso precisa ser encerrado: a fase de confecção de lembrancinhas e afins. Chegamos nesse período, minha esposa e eu, e depois de muito diálogo chegamos a um comum acordo: nossa filha se chamará GIOVANNA WALQUIRIA. Um nome composto! Ela escolheu o primeiro e eu escolhi o segundo.

Nos últimos dias temos recebido algumas críticas e opiniões desnecessárias. Vozes que saem não sei de onde nem porquê, opinando e desaprovando nossa escolha por pura maldade. Eu não teria aberto esse post se isso não tivesse sido desconfortável para minha esposa, mas foi! Em consequência, foi à mim também. Assim sendo, gostaria de mandar um recado conciso e direto para essas pessoas:

SE VOCÊS ACHAM QUE NÃO COMBINA OU QUE É FEIO O NOME DA MINHA FILHA, PAREM DE PERDER TEMPO TENTANDO MUDAR NOSSA ESCOLHA. SEJAM MAIS PRÁTICOS, TENHAM FILHOS E BOTEM OS NOMES QUE VOCÊS QUISEREM. 

Não existe coisa mais feia que gente se metendo onde não é chamado. E para não restar dúvidas do meu asco à essas pessoas, gostaria de lembrar que minha esposa e eu somos independentes. Trabalhamos e pagamos nossas contas, por isso estamos trazendo uma criança no mundo.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Sombra de Reis Barbudos OU um lugar ao sol?


Quase nunca tenho tempo de ler por prazer. De ler o que fogem as obrigações e alimenta a satisfação intelectual que buscamos. Há algum tempo me indicaram este livro e ele foi ficando adormecido na lista das leituras não obrigatórias. Pois bem, este final de semana me deitei e deleitei com J. Veiga e sua Sombra de Reis Barbudos.

A história me fez viajar por um tempo em que eu era criança e tinha mais facilidade de fazer reconto de alguns acontecimentos que a idade não nos permite entender como deveríamos, assim como Lu (Lucas, personagem/narrador) não entendeu sua própria história. O garotinho passa por uma aflição que nos faz também sentirmos aflitos com alguma coisa que nem temos o direito de saber ao certo o que é e como funciona. 

Imaginem uma cidade inteira tomada por uma misteriosa Companhia que impõe regras a todos os seus habitantes. Regras esdrúxulas ousadamente comparadas com o comportamento militar na época da censura no Brasil. E imaginem também, tudo isso sendo contado por uma criança que está alheia ao processo, e somente por isso consegue viver lampejos de felicidade. Nem Kafka!

Há um capítulo, o que mais me estarreceu, chamado Cruzes Horizontais, onde são erguidos muros altíssimos nas ruas da cidade tornando-a um grande labirinto em que as pessoas são proibidas de olhar para o céu. Esta certamente é a simbologia mais forte da história da morte em vida contada pela inocência ingênua e aterrorizante de uma criança que fez J. Veiga ganhar o prêmio nacional de ficção em 1973.

Por que será que tudo permanece tal e qual? Vale a pena ler.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

O retrato da competência

A Escola Estadual Dr José Fernandes de Melo pode se orgulhar em ter uma profissional da envergadura de Edleusa. Na foto em companhia da professora de Biologia (articuladora do projeto) Jacicleuma, e Toinha representando a 15ª DIRED. 
Psiu, bonita bolsa, Edleusa.