quinta-feira, 16 de julho de 2015

Hercule Poirot e o método da inteligência despreziva


Hercule Poirot foi a única personagem da Literatura que teve o obituário na primeira página do The New York Times - o jornal que todo o mundo conhece. Não sei se vivo eu, a procura de razões, para que a Academia aceite Agatha Christie no cânone poético, mas contra fatos não há argumentos: Ela é a autora mais publicada de todos os tempos, com exceção de Shekespeare e da Bíblia. Nenhum outro escritor, não que me recorde nesse momento, escreveu 68 romances (dois deles em pseudônimos), 163 contos, 19 peças de teatro, muitos poemas e dois autobiográficos, e todos bons.

Aclamada no mundo inteiro, seus personagens têm uma espécie de vida própria que se alternam nos romances policiais. Poirot, por exemplo, aparece em quase todos como aquele excêntrico detetive que, diferente de Sherlock Holmes, despreza os métodos da polícia e desvenda os crimes através de sua magnífica inteligência. Após desvendá-los, revela-os sempre de maneira magistral: reunindo todos os suspeitos e as pistas que nos são dadas no decorrer da narrativa para mostrar nos últimos minutos, da forma mais contundente possível, que o assassino é (...).

Um método repetitivo, mas condizente com a personalidade da personagem que não é apenas de um livro só. Esta coerência me basta para que o considere Literatura. Poirot saiu de cena em um romance "Cai o pano" que Agatha Christie deixou para ser publicado após a sua morte, morrendo, também, desse modo o pequeno grande detetive que não conseguiu viver apenas em sua mente brilhante.

Cai o pano reúne Hercule Poirot, já aposentado, com seu amigo, o capitão Arthur Hastings na Mansão Styles, onde haviam se encontrado a primeira vez. A antiga mansão é agora um Hotel onde encontra-se hospedado um misterioso assassino. Um serial Killers, autor de cinco crimes sem relação aparente. Poirot então prevê o sexto assassinato e na espreita pela ocorrência descobre o autor dos crimes. Quem foi a sexta vítima? Leiam (risos).



terça-feira, 14 de julho de 2015

A mulher do vaso de alabastro


No próximo 22 de julho, a tradição cristã celebra Santa Maria Madalena. Desde pequeno, rememorando aqui os tempos de catecismo católico, internalizei o estigma da prostituta que até hoje circunda seu nome. Por aqui, virou até ditado popular chorar de arrependimento igual a uma Madalena, pois a esta se designa através das Sagradas Escrituras, a pecadora que fora perdoada por Jesus de Nazaré. Embora os Evangelhos canônicos não deixem clara sua verdadeira identidade.

Margaret Starbird em Maria Madalena e o Santo Graal – a mulher do vaso de alabastro nos oferece outra versão sobre sua história. Versão esta que inspirou Dan Brown em O Código da Vinci. Ambos não recomendados para cristãos dogmáticos. A versão se passa sobre a possibilidade, mas contundente, de que esta Maria Madalena, irmã de Lázaro de Betânia, havia se casado com Jesus de Nazaré e gerado um filho seu, ou melhor, uma filha.

A heresia disseminada em todo o ocidente fora sufocada pela ortodoxia católica que negou por toda a História essa possibilidade. A autora, seguindo a guisa de outros estudiosos precursores do assunto, rememora passagens bíblicas para mostrar onde está nas entrelinhas dos evangelistas a cultura matrimonial entre Jesus e Madalena, àquela que o ungiu com perfume.


Mas qual a verdadeira identidade desta mulher tão confundida com outras? Por que pairou sobre si o estigma da prostituição se foi casada com o rabino messiânico, autentico representante de Davi e legitimado na Terra como o cordeiro de Deus? Os evangelhos de Marcos e Lucas apontam que Madalena foi curada de sete demônios possessos, mas em passagem alguma dizem ser ela uma prostituta. Até caberia adentrar no campo antropológico da História Antiga para explicar melhor o termo prostituta, casualmente utilizado para nomear as samaritanas que ungiam os senhores nos templos, mas não sendo minha área, deixo a julgo dos entendimentos outrem, pois estudos de Starbird apontam nas Artes e na cultura antiga uma gama de evidências sobre sua verdadeira representação feminina de Maria Madalena no tempo de Jesus. É um livro não recomendado para quem lê apenas com os olhos da fé, pois as revelações comprometeram até o catolicismo da própria autora.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Carinho não tem preço

Bia Bernardi está no Egito fazendo a turnê do Prof. Alcântara Machado e levou consigo um exemplar de "Além do brilho da estrela" para ser lido nas terras onde foi concebido. Fiquei muito feliz em receber essas imagens, porque carinho não tem preço.




domingo, 12 de julho de 2015

Adiposidades literárias

Acho que nunca vou esquecer uma reunião chata, que participei um tempo atrás, em que tirei do palestrante minha atenção para depositá-la única, e exclusivamente, em um exemplar velhinho de Morte e vida Severina de João Cabral de Melo Neto. Até hoje, não sei dizer ao certo se o aceito como poema, embora aceite Os Lusíadas. Ora, falo aqui da minha predisposição tendenciosa à prosa que vergonhosamente marginaliza um pouco as rimas; mas devo confessar Seu João, que sufocando meu fôlego, ative de uma sentada só meu pomposo encantamento pelo livro. O que nem sempre me causam os cordéis. Sendo que mais tarde entraria em meu primeiro romance. Registro o fato, porque com frequência vejo muita gente acreditar que quatorze linhas divididas em dois grupos de quatro e dois de três, com o mesmo número de sílabas rimadas, pode ser um soneto tetrarca. E parece que é!

Devo dizer-lhes, entretanto, que a Literatura não dispõe de fórmulas matemáticas. Vejam o conto, por exemplo. As tentativas em defini-lo partindo de uma única forma são fadadas ao fracasso; sua natureza não dispõe de um mecanismo encaixotado como o soneto. Mecanismo este, que nem sempre é bem vindo na poesia. O próprio João Cabral, para continuar sob a égide dos grandes, disse em 1994 em entrevista a José Geraldo Couto que não se deve poetizar o poema. Isso tiraria sua beleza natural, como quem ousa perfumar uma rosa.

E essa tentativa muitas vezes forçosa de encontrar o “verso certo” acaba provocando no texto um excesso de palavras que só servem para enfeitá-lo, e o desejo do autor/poeta, ou chamado eu lírico, passa por longe porque a palavra não o atingiu com plenitude. Esse pecado não é de exclusividade dos poetas. Quantas vezes na tentativa de embelezar o romance, não encontramos descrições prolixas e desnecessárias. Lembro agora da minha primeira novela, quando em um dos capítulos descrevi a pedra do colar da cigana Walquiria “azul marinho da cor do mar”, evidentemente isso foi corrigido, mas não me retrato apenas a redundância gramatical, mas às adiposidades literárias que vivem por ai entupindo as veias artísticas, causando infartos, alguns fulminantes em escritores de um verso só.


Lembremos, portanto, todos nós que nos abastecemos da escrita para respirar, que nem sempre a sobrecarga das palavras soma. É mais fácil, entre dois adjetivos, um desprezar o outro, porque sempre haverá algo como a “rosa” que não precisa de perfume porque já é por si poética que se difere de “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”. E a frente dessa lição, haverá sempre nomes como Graciliano Ramos ou Augusto dos Anjos mostrando que não descobrimos nada sobre economia linguística e estamos aqui para aprender com os melhores.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Pois o segundo sol chegou


Não é que o segundo sol de Cássia Eller chegou! A imagem feita ha poucos minutos revela a aparição luminosa que causou alvoroço na vizinhança hoje pela manhã. Visto de uma das torres da Igreja Matriz, o círculo de luz percorreu o contorno do teto conforme a órbita solar, podendo ser observado de vários ângulos.

Para todos os efeitos, o pessoal aqui prefere acreditar que a luz "aparece" e "desaparece" como um incêndio anunciado no Apocalipse de São João.


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Lançamento de "Além do brilho da estrela": noite de autógrafos


Quando é para dar certo, até quem quer atrapalhar ajuda! Driblado o deslocamento do espaço físico nas quartas de final, lançamos Além do brilho da estrela com pessoas muito queridas, e mais uma vez quero tornar público os meus agradecimentos a todos que enfrentaram a chuva, providencialmente em boa hora, e foram me prestigiar. De um modo muito particular, agradeço as mãos que estiveram por trás desse instante, mãos que trabalharam voluntariamente pelo simples prazer de me fazer feliz.

Agradecer e abraçar a imprensa por todo apoio de divulgação: Rádio DumboFM, Jornal Gazeta do Oeste, Jornal O Mossoroense, aos que partilharam, curtiram e comentaram as postagens e promoção veiculadas via facebook e redes sociais como forma de divulgação mais direta. Ao Departamento de Letras da UERN/CAMEAM pelo convite e espaço. Amigos, alunos e mestres pelo prestígio dado a este aprendiz de escritor.

A todos que vieram de outras cidades: Portalegre, Tenente Ananias, Pereiro, Marcelino Vieira, Doutor Severiano, São Miguel, São Francisco do Oeste, Apodi e alguma outra que me foge a lembrança nesse momento, quero deixar minhas saudações literárias e dizer que a magia da presença de vocês está, com certeza, além do brilho da estrela. Que a leitura desse novo trabalho traga para cada um de vocês bons momentos.

Registros da noite de lançamento: 






























terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Sobre "Além do brilho da estrela"


PALAVRAS DO AUTOR

Além do brilho da estrela é uma grande viagem. Grande por nos conduzir ao Egito – das civilizações antigas estudadas é a que mais aprecio desde sempre. E maior ainda por nos convidar a conhecer e entender os conflitos existencialistas do professor Alcântara Machado, o que em tese, a torna uma novela psicológica. Acredito que exercitar essa jornada, duplamente identificada, torna a leitura desta narrativa tensa, assim como foi tensa sua escrita. Foram meses de pesquisa, de resgate memorial, de formação de personagens complicados do ponto de vista simétrico; mas acredito também que valeu a pena, porque suas formações são dadas para se contornarem imageticamente na compreensão do leitor. Não tenho muita clareza, e, certamente por isso, não posso garantir que será bem compreendida. Afinal, o dito pelo não dito – me permitam a comparação pragmática – vale o que está escrito.
Essa é uma novela para quem gosta de viver, de viver intensamente, às vezes nos extremos: nas periferias e bangalôs dos mais nobres sentimentos que habitam a emoção e a razão do homem de todos os tempos. A ambientação egípcia, conforme exposta, é a materialização gráfica de um prazer pessoal. Acredito que conduzindo a trama entre lá e cá, podemos enriquecer o enredo de forma cultural e estética. São outros espaços, outras culturas e as mesmas histórias. Sobretudo quando considero como ponto de partida desta narrativa, uma cronologia desde antes de Cristo até a contemporaneidade costurada por misticismos e conflitos, não lineares, que ornamentam as personagens e suas histórias transversalmente paralelas.
Parte do público que leu meu trabalho anterior cobrou outra novela, e me cobraram com uma pressa excessiva. Isso poderia ter me envaidecido, mas foi relendo Walquiria que encontrei outro caminho de escrita. Caminho que espero poder trilhar com vocês a partir de agora nas páginas desta novela. Acredito que isso faz parte do processo de criação, e como não escrevo em ritmo industrial, o tempo de escrita me foi favorável. Saudável, até.
Busco, portanto, revelar com essas novas histórias dentro de uma grande história, a união de universos heterogêneos porque assim é a nossa vida. Composta de heterogeneidades que vão matizando um sentido só: o de viver.

Fernando Filgueira Barbosa Júnior



Convite de lançamento