domingo, 16 de abril de 2017

Uma Escola e uma professora que todos queriam ter


Não raro as escolas estão compondo os espaços da ficção na TV. Quem nunca pensou em visitar a biblioteca de Hogwarts em Harry Potter, o giga byte café no Múltipla Escolha de Malhação ou mesmo o colégio Elite Way de Rebelde?


Elas parecem todas espaços de aprendizagem que qualquer aluno gostaria de frequentar, longe dos tradicionalismos e centrada em uma perfeição onde a magia parece estar no ar. Nenhuma delas porém supera a ESCOLA MUNDIAL da telenovela mexicana CARROSSEL que encantou minha geração. 


O encanto e a docilidade da Professora Helena foi responsável por uma infância feliz que nunca mais irá voltar! Por mais que algumas crianças hoje procurem curtir esses clássicos de um passado saudável, não se recupera mais na integralidade a magia de quem viveu a época. Era tudo muito perfeito, bonito, puro e encantado.


E eu só abri esse posto por pura saudade... 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Como diria Carlos Rodrigo: só uns rabiscos...


Incomodar alguém na esfera acadêmica é diferente de incomodar alguém na rua por causa de um perfume desagradável, por exemplo. Incomodar alguém, academicamente falando, é despertar no predador uma ânsia de colonização ideológica orvalhada pelo recorrente desespero (e desrespeito) dos “imperialistas” que não admitem subterfúgios das suas teorias emergentes, instantâneas, alicerçadas pelo desejo, ou tara, da última hora. Assim apenas fosse não entraríamos nas inúteis vaidades que emolduram os aspectos mais triviais e inúteis de suas aparições impostas. Incomodar alguém na esfera acadêmica é, antes de tudo, saber que vai despertar no outro o nível mais brutal da inveja: a dos saberes. E é assustadora, e reveladora ao mesmo tempo, a perseguição – quase edipiana, que se instaura àqueles que não prostituem suas idéias nem por medo, nem por conveniência. 

Tenho dito!

domingo, 29 de janeiro de 2017

O naufrágio das modinhas

É inevitável para os escravos das redes sociais não sentirem o cataclismo das modinhas lexicais e semióticas que volta e meia acorrentam a geração salsicha. Há quem a chame de coxinhas, mas como essa idéia nunca ficou muito clara para mim, talvez por estar sempre associada à concepção política, prefiro não entrar na modinha.
As modinhas das redes sociais se expandem numa velocidade, como diria Caetano Veloso, estonteante; ela não arrebata apenas pela idade ou pelo número de propagação, mas pela ideia que a reprodução em massa nos torna ativos em uma geração de... Deixa pra lá...
Mas o que consola essa repetição é a atenção voltada não somente às redes sociais. Devo opinar, entretanto, na minha área de concentração discursiva: livros e literatura. Voltando o tempo – bem pouco tempo, mais precisamente nos anos 1960, houve uma geração de novos talentos que se não escrevessem à sombra de Guimarães Rosa, Clarice Lispector ou Rubem Fonseca não acreditavam estarem fazendo Literatura, e com isso forçavam tanto a barra que o estilo do autor – do verdadeiro autor se perdia.
É preocupante perceber que, ainda hoje, este é um dos grandes problemas em meio às produções contemporâneas. Eu, por exemplo, quase não diferencio duplas sertanejas porque elas mudam apenas de nome (com raríssimas exceções), mas as interpretações são sempre reprodução das mesmas, o vestir, as notas musicais, etc. Sem falar na carreira paralela de modelo que o cantor é obrigado a fazer junto aos palcos.

São essas medidas de emergência que tornam as pessoas sem identidade, sem capacidade de criar ou viver seu próprio estilo. Estamos posicionados no tão esperado século apenas como antenas parabólicas – prontos para receber os sinais e transmitir, escravizados pela linguagem rebuscada que ativa os fluxos da consciência, pela vulgaridade, pela oscilação irremediável das ideias e, mais ainda, pela incapacidade de querer não acompanhar o naufrágio das modinhas.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Nem tudo que reluz é ouro

Tinha o cérebro oco, parecia-lhe que sua cabeça estava em jejum.
Clarice Lispector in Onde estivestes de noite.


Retomando a velha questão onde me oportunizei debater no texto “adiposidades literárias”, publicado aqui anteriormente, gostaria de hoje convidar vossa senhoria a dirigir um olhar cuidadosamente calculado às análises literárias das quais volta e meia somos reféns. Principalmente quando esse sequestro ideológico se dá através das obras de autores de tendências contemporâneas, como Clarice Lispector, Caio F. Abreu e outros.

Se há por parte de alguns escritores o excesso cultista no viés da linguagem rearranjada em ornamentos dispensáveis, há muito mais por parte dos leitores a tentativa conceptista de nos convencer de algo que nem ao menos fora dito, senão por eles próprios.

Tzvetan Todorov em A literatura em perigo nos chama a atenção para o papel do ensino de Literatura em uma sociedade onde ler poemas e romances nos aponta a uma crítica emergente da condição humana, seja ela de forma tradicional ou moderna; entretanto, a sensação que temos é que depois de Freud e a psicanálise nada escapa ao crivo da sexualidade. Evidentemente a culpa dessa necessidade forçada em engajar a literatura de qualquer tipo no tripé psicanalítico não é de Freud, mas dos leitores que se auto proclamam freudianos e se comportam de maneira automatizada pela ciência moderna.

Esta, a meu ver, é uma tentativa não somente forçosa, mas tosca que nos serve de engodo às leituras alheias. Não se trata de censurar texto A ou B, mas de ter a maturidade em ler e interpretar a literatura sem obrigatoriamente erotizar o texto. Muitas vezes essa busca desesperada em explicar o espaço ou a ação de determinadas personagens nesse espaço sob um viés erótico acaba reduzindo ou mesmo excluindo o que o autor quis dizer (e disse), para dar vez e voz ao devaneio do leitor.

A Literatura, sendo uma das sete Artes, está contextualizada em um tempo histórico e com as vivências do autor; ela não nasce de um sopro divino favorecido pelo acaso, mas de uma elaboração contextualizada que nos permite, através do texto, detalhar um olhar sociológico, antropológico e também, é claro, psicanalítico, quando é pertinente.

Imaginemos, portanto, através de um exemplo grosseiro criado agora, uma suntuosa dama de vermelho sentada em seu apartamento faraônico, a meia luz, com um cigarro entre os dedos. Esse poderia ser o início de qualquer romance; logo, essa descrição seria conduzida pelos megalomaníacos da psicanálise a interpretar coisas do tipo: Humm, o vermelho representa isso, o cigarro é cilíndrico, então é fálico, a ponta do cigarro estava acesa? Se sim... E por aí segue uma gama de argumentos (leia-se artifícios) para justificar a mulher sentada fumando. Com isso, esquecem esses analistas de buscar compreender o óbvio: por que ela estava sozinha em companhia apenas do cigarro, por exemplo.


Por fim, gostaria de dizer que esse texto recalcado não está direcionado a ninguém especificamente, mas a uma época: a época em que vivemos onde toda figurinha de dente escovado gosta de brincar de psicanalista e por isso se sente um grande gênio. E aos que assim se comportam, recordo as palavras de João Cabral de Melo Neto “Não se deve poetizar o poema, isso tiraria sua beleza natural, como quem ousa perfumar uma rosa.”

DICA DE LEITURA:
Poesias Amorosas/eróticas de Gregório de Matos. Adianto que nem precisa de Freud para ver tanta... Parei por aqui! 

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Carta para Carlos Magno


Meu bom irmão eleito, que saudade.

Espírita, vivi todo esse tempo à espera de sua carta que nunca veio cansando aquela velha máxima de que o telefone só toca de lá para cá. Como é difícil estabelecer um contato com o silêncio, ouvindo a nossa própria voz e fazendo de contas que ela é, também a sua, falando aos nossos corações... Foi nesses anos esmaecidos pelas procelas que nos acometem que recebi no camarim de Elba Ramalho uma mensagem sua no meu celular pedindo para que o considerasse o irmão que a vida lhe negara, lembra? Eram tempos difíceis, mas nada lhe parecia impossível! Rapidamente você conseguiu destruir a imagem sisuda do “brinquedo do cão”... Essa missiva com M de memória certamente se alicerçará assim: cheia de reticências... Você foi uma das primeiras pessoas a confiar na minha escrita, me incentivou a escrever uma novela, e falou-me da importância desses registros grafados de maneira singular. Falávamos tanto nos capítulos – da vida e do livro, enquanto comíamos aquele ovo cheio de lipídios a entupir nossas artérias... E era tão gostoso. Até hoje ainda o faço, mas não é tão gostoso quanto àqueles que saboreei em sua companhia. Acho que perdi-me no Tempo Tempo Tempo Tempo.

Na verdade, desde que você se foi, tenho pensado muito na quantidade de amigos que descobri em seu entorno. Aquela despedida ao pingo do meio dia, ou melhor “ameidiinha” me deixou muito confuso. Você sabe que quase não os encontro mais?! Eles quase nem falam em você... E quando falam é querendo ser você... Tsc Tsc... Devem ter se acostumado com a sua assombrosa ausência. Eu sei que essa não é uma boa notícia, mas por aqui pouca coisa evoluiu, sobretudo se pensarmos essa coisa referindo-se à especificamente à conduta humana.

Eu consegui terminar o curso de Letras, fiz uma pós e estou voltando para fazer Letras novamente, dessa vez com habilitação em Língua Portuguesa. Finalmente seu conselho faz sentido, mas sinto que perdi muito tempo, até envelheci e já me cansei de algumas babaquices que ontem faziam sentido, deixei passar algumas oportunidades... Merci? Mas sei também que o mesmo cara que cuida de você aí, olha por mim aqui. Continuo ouvindo os mesmos discos e concordando com Elis Regina, mas que nunca: nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam, não.

É meu irmão... São tantos assuntos... Tantos muitos que nem sei como falar... Não podíamos ter vivido melhor. Concorda? Você continua representando a maior expressão de força em nosso meio. Não o tenho como modelo para tudo, é claro, mas você sabe do que estou falando e isso é outra história. Libertário, canhestro, pai, irmão, amigo e mestre, eram tantos em um só que lhe tornaram incomparável. E isso ainda incomoda! De quando em quando vejo atos falhos nos discursos que ecoam invocando seu nome em vão. Tenho muita curiosidade em saber como você vive hoje, e lamento por aqueles que não o conheceram... Tantas vezes nossa mãe e eu pedimos para sonhar com você e todos os dias acordávamos tomando um choque de realidade desconstruindo todos os pensamentos que tentamos maquiar, manobrar, mudar...

Por aqui pouca coisa mudou. Repito. Não me entenda, entretanto, como pessimista ou dramático, mas lembre daquela sua frase “se as mudanças acontecem sempre em favor do pior, que permaneçam as coisas como estão” e deixe Caetano cantar que nada há de novo sobre o sol. As pessoas continuam se expondo nas redes sociais sem nenhum zelo por suas intimidades. Estão cada vez mais viciadas, dependentes e carentes... Para completar até andam caçando Pokémon, ricocheteadas pela infantilidade tardia e inoperante. Eu diria que estão bem piores que você, que costumava fazer um fake fingindo sair de circulação no mundo digital, mas continuava lá de olho em tudo. Desculpe contar esse segredo, mas ele já não é mais nosso, apenas. Estamos nos aproximando da política, aquela “degeneração gordurosa das organizações da incompetência” e como é de costume, aqui, as pessoas passam a viver em função disso e oportunizam-se para fazer ecoar todo tipo de mazela social. Desde a caça aos pobres até os sem fim...

No trabalho, para quem abraçou nosso ofício, continuamos naquela vida severina, mas gratos pelo pão e pelo café de todo dia. Em todos os setores dessa existência continuamos medíocres: opressores e oprimidos pela radicalização violenta de tudo com todos. Continuamos maledicentes, receptivos a doenças no corpo e na alma – o que é pior ainda. Quase não temos tempo para ajudar ninguém, afinal, ninguém nos ajuda. Cada dia está mais difícil professar a fé, ainda bem que você não teve que passar por isso porque você foi quase o revés de Clarice Lispector em nosso meio, não é?

Pois, pois... Muito pouco evoluímos. Mas eu estou feliz, na medida do possível. Tenho uma filha linda, se chama Walquiria – igual minha primeira novela, àquela que lhe dediquei, mas não lhe deu tempo de ler. Depois dessa fiz outra. Não, não outra filha, outra novela. Ainda nem ao menos paguei Semântica para brincar assim com você. Muito raramente, também, encontro sua filha, mas ela cresceu e como qualquer adolescente que descendesse geneticamente de você, carregaria traços tão seus que custa olhá-la sem se emocionar. Acho que tudo isso se resume em uma palavra: saudade. E junto dela, a necessidade sôfrega de manter-lhe vivo nos livros, cachimbos, uísques e escaninhos.


PS.: Se você encontrar Ranielle, por favor diga-lhe... Que permanecemos por aqui “na sagrada saudade que deixa continuar.”

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Pela luz dos olhos teus...


Dali a tempos já havia se revelado uma heroína, não dessas inglesas cujos olhos em tom machadiano se banhando nas águas shakesperianas, diluem-se em leite ante as tonalidades que no Brasil revelam-se inoperantes, mas de um ímpeto abrupto cuja fortaleza se desvela no pretume do olhar majestoso ao observar pela segunda vez uma cena partilhada em crônicas mudas. Silenciosa, da primeira vez me disse marejando os olhos – numa carona, que sentiu seu coração partir ao ver uma pobre senhora apanhando da lata de lixo um lanche para alimentar seu filho colado à barra da saia; o lanche havia sido jogado por alguém da sacada de um prédio e isso bastou para silenciar toda moral da história tornando a crônica mais muda que a das palavras não escritas. Hoje, convicta das voltas que a vida dá, algum tempo depois daquela cena, da simplicidade buscada pelo poeta, inconscientemente até, não sabendo que suas experiências me inspiram, trouxe-me imageticamente a cena mais pura de uma infância transbordada de grandes prazeres, daquelas que não se vive mais, apenas cobiçada de uma sacada, não do mesmo prédio, mas pelos mesmos olhos que preservam o negrume e a essência do coração de menina grande que bate, no embalo do balanço daquele garoto, na mesma intensidade que alcança o frenesi do empurrador, seja pai, amigo, irmão, não importando quem, sem saber que estão sendo observados por outro quem quer que seja, e daquele lugar, n’aquela condição, daria um pouco mais que a volta no quarteirão para tranquilizar-se das asperezas e da dureza da vida real, vivendo apenas como ele: no balanço recôndito de uma algaroba como se fosse o regaço acolhedor de sua mãe. Esse texto não pode continuar, ele precisa ser cristalizado com o mesmo gesto que o olhar perdido divagou-se por quase hora cenográfica, reproduzida em alguns instantes e abraçada a som da canção que invade este ambiente.

domingo, 22 de maio de 2016

Protegendo-me de mim mesmo ou Quem dera fôssemos blindados


, quando me dei a acreditar pelo ribombo da consciência que a possibilidade de se desertar os sentimentos aflora em um plano de equivalência entre nossa inteligência afetiva e as mazelas à que somos acometidos dia-a-dia, ou chamemos de provações, olhei para dentro do oco do bambu e nem sequer pude ver um filamento celular que fosse, antes de mais nada, um sinalizador de vida. Senti medo. Um espasmo fracionado por um instante eterno ondulou vibrante o fio da mais alta tensão existencial do meu ser; percebi então que estava falando de mim e já havia iniciado aquilo que chamam de texto alheio porque não mais me representa, mas que na verdade é apenas o eco da consciência respondendo a si própria, através de gritos mudos, silenciando o desconforto pensante daquilo que não queremos que você entenda. Não se trata, contudo, de subestimar vossas inteligências múltiplas ao cubo e melhores que a ostentada por mim, mas de defender-se das verdades cortantes que negamos à nós mesmos. Por isso escrever é sempre um risco, é o risco de desnudar-se, de dar-vos provas para serem usadas contra nós em algum momento de nossa vida, é um risco porque ao abrir a cortina da janela do quarto pode, à mercê do dia, entrar sol ou chuva. Assim são também nossas sensações – inesperadas, inexplicáveis e até mesmo assustadoras. E podem fazer frio demais, ou calor demais, e esse texto morre aqui, para que não seja eu, o próximo Pedro da história não bíblica desses tempos perigosos em que não conhecemos nem a nós próprios. 

terça-feira, 19 de abril de 2016

Eu vivo num tempo de guerra II

É tão fácil ser politizado quando não se tem de quem ou o quê discordar. Quando todos pensam igual a você e ficam apenas complementando e adornando suas concordâncias... Quando se tem um bom salário assegurado na conta bancária no final do mês... O princípio da antítese é sempre o mesmo, e é bíblico:

Perdoar os nossos devedores como vos pedimos também perdão.

Amar os amigos não constitui desafio, constitui virtude! Respeitar os correligionários é também muito prazeroso e não lhe custa nada senão um ego amaciado. O que está em jogo é a falta de respeito com os que pensam diferente. Parece que a única saída é a agressão! A intriga! A intolerância! E nessa, a “consciência política” velada pelo “cheiro dos livros desesperados” revela-se cada vez mais frágil e inoperante. 

Basta que o seu candidato agrida o meu para que ele passe a lhe representar; basta que o meu agrida o seu para que me represente também e ostentemos, juntos, nas redes sociais que não somos mais nós, mas o outro. E assim, seguimos, conectados em um único canal de televisão – aquele que transmita o que queremos ouvir – e nada mais nos interessa. Até nos dispomos a acreditar que essa visão limitada se chama democracia porque ser contrariado é golpe!

ISSO CANSA!!!

Nem Jean Willys, nem Jair Bolsonaro, nenhum político me representa, não passei-lhes procuração para manchar minha identidade cuspindo na cara de ninguém ou fazendo apologia a ditadura em rede nacional.


Quero mais é permanecer com o pensamento de Fernando Pessoa em 1917, revelando-se cada dia mais atual, porque “a política é a degeneração gordurosa das organizações da incompetência. Sufoco-me de ter tudo isso a minha volta.”

quarta-feira, 16 de março de 2016

Eu vivo num tempo de guerra


Sejam bem vindos a nova Idade Média, profetizada por Cazuza:

Será que eu sou medieval?
Baby, eu me acho um cara tão atual
Na moda da nova idade média
Na mídia da novidade média

Muito tenho lido nas redes sociais pessoas que antes declaravam-se ocupadas demais para interagir em sites de relacionamentos, virando madrugada à postar asneiras partidárias. Infelizmente, voltamos a viver em um tempo de guerra onde a falta de respeito fere tanto quanto armas de fogo. 

A invasão ideológica, da qual frequentemente sou vítima, chegou a tal ponto que não é mais possível atenuar. Ou você fere ou será ferido! As opções são de meter medo! Estamos coagidos a formar uma sociedade de salsichas! 


Fala-se muito num golpe, mas esquecem-se das punhaladas, que em medida, também são uma espécie de golpe. Vamos parar de brincar de Tom e Jerry, esse filme está caduco e o final é sempre um:

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

... e mais que as palavras, ainda que seja através delas que eu me defendo


Eu sei que atrás desse universo de aparências,
das diferenças todas
A esperança toda é preservada
Nas xícaras sujas de ontem
O café de cada manhã é servido
Mas existe uma palavra
que eu não suporto ouvir,
e dela não me conformo.
Eu acredito em tudo, mas...
Eu quero você agora
Eu te amo pelas tuas faltas
Pelo teu corpo marcado
Pelas tuas cicatrizes
Pelas tuas loucuras todas
Minha vida...
Eu amo as tuas mãos,
mesmo que por causa delas
eu não saiba o que fazer das minhas.
Amo teu jogo triste
As tuas roupas sujas,
é aqui em casa que eu lavo
Eu amo a tua alegria
Mesmo fora de si,
eu te amo pela tua essência.
Até pelo que você podia ter sido
se a maré das circunstâncias
não tivesse te banhado nas águas do equívoco.
Eu te amo nas horas infernais
e na vida sem tempo
quando sozinho bordo mais uma toalha de fim de semana
Eu te amo pelas crianças
e futuras rugas
Te amo pelas tuas ilusões perdidas
e pelos teus sonhos inúteis
Amo o teu sistema de vida e morte
Eu te amo pelo que se repete
e que nunca é igual
Eu te amo pelas tuas entradas,
saídas e bandeiras.
Eu te amo desde os teus pés 
até o que te escapa.
Eu te amo de alma para alma
E mais que as palavras
ainda que seja através delas que eu me defendo
quando digo que te amo mais que o silêncio 
dos momentos difíceis
quando o próprio amor vacila.

Fernando Pessoa, poeta português.






sábado, 9 de janeiro de 2016

E se fosse seu filho?

Eu estava completando 30 anos de idade, Vitor Pinto não pôde completar os 03. 
O enredo se passa com uma família indígena da tribo dos Chapecós no litoral de Santa Catarina, onde a família de Vitor havia desembarcado para vender seus artesanatos na esperança de comprarem uma geladeira. O pai, estava trabalhando em uma praia e viu no noticiário que seu filho havia sido degolado brutalmente por um branco.
A mãe amamentava o pequeno à sombra de uma árvore quando viu se aproximar o rapaz que após acariciar seu filho, cortou-lhe o pescoço. Passou a noite na chuva, desamparada. Quando o pai chegou ao local do crime e identificou o chinelo e os brinquedos da criança espalhados no chão da rodoviária, teve certeza do havia visto no noticiário. A avó de Vitor, atordoada com a brutalidade esqueceu até quantos anos tem. A tribo, que vive dessa renda centralizada em artesanatos, teme sair na cidade.
De Vitor não sobrou nenhuma foto, "nem de celular", apenas a lembrança de uma criança que não pôde viver.

SÓ QUE ISSO NÃO É NOVELA, ISSO NÃO É FICÇÃO. É A VIDA REAL!

É estarrecedor abrir o noticiário e ver histórias assim. Resistimos muito, ainda, em acreditar na força do mal e essa nossa resistência têm gerado cada vez mais peripécias com esses megalomaníacos da sociedade impune.
A versão da polícia descarta a possibilidade de um crime racista. Alega, o delegado, que o suspeito (detido) é apenas alcoólatra, usuário de drogas e pode estar envolvido em alguma seita satânica. Mas desconsidera o fato do jovem ter escolhido exatamente o indiozinho para matar depois tê-lo acariciado, e não ter pego o primeiro que encontrasse em seu caminho.
Meu Deus, que país é esse? Que justiça frouxa é essa? Parece que qualquer coisa aqui tem mais valor que uma vida! 
Quem não lembra do índio Galdino incendiado enquanto dormia numa rodoviária em Brasília? Até quando nossos índios, legítimos herdeiros desta terra serão considerados hardcore da violência urbana?
Enquanto as Leis penais forem brandas e favorecerem esses bandidos, é bom nem pensar nisso. Mas a empatia, o que nos torna diferentes dessa classe de pessoas, nos faz questionar:

E SE FOSSE SEU FILHO?